Artigo da seção termos e conceitos Nova Escultura Inglesa

Nova Escultura Inglesa

Artigo da seção termos e conceitos
Artes visuais  

Definição

Denomina-se "nova escultura inglesa" uma geração de escultores residentes na Inglaterra que surge no cenário artístico na segunda metade da década de 1970. São eles: Richard Deacon (1949), Tony Cragg (1949), Antony Gormley (1950), Bill Woodrow (1948), Shirazeh Houshiary (1955), Anish Kapoor (1954), Alison Wilding (1948) e Richard Wentworth (1947). Sem constituírem propriamente um grupo ou movimento, esses artistas têm em comum uma posição de insatisfação com a arte de cunho minimalista e conceitual que domina a primeira metade daquela década. Essa posição os levam a adotar alguns procedimentos comuns, como a recuperação do elemento narrativo, da imagética popular ou da cultura de massa, ao lado de procedimentos de apropriação de objetos descartados pelo consumo, que os aproximam também de outros movimentos que surgem nesse momento, como o neo-expressionismo e a transvanguarda. Além disso, em oposição ao caráter intelectual da arte precedente, realizam trabalhos com forte conteúdo emocional.

Envolvidos mais na produção de objetos, tanto de escala doméstica quanto urbana, do que em uma escultura de investigação espacial muitos desses artistas, como Cragg, Woodrow e Wentworth, se apropriam de materiais ou objetos descartados como lixo para realizarem suas composições escultóricas e às vezes denunciar uma situação de desperdício e consumo inútil da sociedade industrial. Por exemplo, em Novas Pedras - Os Tons de Newton (1978), Cragg dispõe no chão, de forma extremamente ordenada e seguindo gradações de cor, objetos de plástico que foram descartados. Woodrow também realiza grandes esculturas com as mais diversas formas, como instrumentos musicais, livros, canhões, lápides, explorando no campo da escultura a importância do dado literário ou narrativo.

Já Deacon e Gormley recuperam formas orgânicas em objetos realizados em madeira, ferro, plástico, concreto, alumínio, chumbo etc. O último se notabiliza por uma série conhecida como body sculpture, em que explora moldes de seu próprio corpo. Kapoor, artista indiano que vive na Inglaterra desde o início da década de 1970, executa peças cujo apelo tátil é atingido mediante a utilização de materiais expressivos como pigmentos puros, em pó, com cores vibrantes, ardósia, calcário, arenito e superfícies espelhadas. Diante de suas peças tridimensionais, o espectador é confrontado com diversas questões de fundo metafísico como a diferença entre presença e ausência, ser e não-ser, cheio e vazio, corpóreo e intangível, que investigam a possibilidade de experiências sublimes na vida cotidiana. A maior parte desses escultores ganhou ou foi indicada ao Turner Prize, o mais prestigiado prêmio de artes visuais na Europa, nas décadas de 1980 e 1990.

Fontes de pesquisa (2)

  • ARCHER, Michael. Arte contemporânea: uma história concisa. São Paulo: Martins Fontes, 2001. 263 p., il. color, p&b. (Coleção A).
  • DEMPSEY, Amy. Estilos, escolas & movimentos: guia enciclopédico da arte moderna. Tradução Carlos Eugênio Marcondes de Moura. São Paulo: Cosac & Naify, 2003. 304 p., il. color.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • NOVA Escultura Inglesa. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopediaitaucultural.org.br/termo462/nova-escultura-inglesa>. Acesso em: 21 de Jul. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7