Artigo da seção pessoas João Pernambuco

João Pernambuco

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento deJoão Pernambuco: 1883 | Data de morte 1947

Biografia
João Teixeira Guimarães (Jatobá PE 1883 - Rio de Janeiro RJ 1947). Compositor, violonista. Muda-se, aos 12 anos, para o Recife, onde aprende a tocar violão com cantadores locais. Vai para o Rio de Janeiro em 1904. Nessa cidade, trabalha numa fundição e participa das rodas de violeiros. Depois de morar seis meses com uma irmã, vai para apensão em que vivem Pixinguinha e Donga e também frequentada por músicos e intelectuais como o violonista Sátiro Bilhar - instrumentista bastante considerado entre os chorões, pela sua capacidade de improvisação - e o poeta Catulo da Paixão Cearense. Torna-se conhecido nesse círculo e passa a apresentar-se em residências de famílias da elite, como a casa de Rui Barbosa e de Afonso Arinos. Em parceria com Catulo da Paixão, compõe cantigas baseadas no folclore nordestino, destacando-se Engenho de Humaitá, 1911, que dá origem à toada Luar do Sertão, 1914, e ao batuque sertanejo Cabocla de Caxangá, 1913, sucesso do Carnaval de 1914, que o maestro Heitor Villa-Lobos arranja para coral cinco anos depois. Essas músicas mais tarde se tornam alvo de uma polêmica, quando Catulo omite a coautoria de João Pernambuco ao incluí-las em seu livro Mata Iluminada, de 1928. Por meio de disputa judicial, Pernambuco, que tem a seu lado o maestro Heitor Villa-Lobos e o radialista Almirante, passa a ter seu nome creditado.

João Pernambuco trabalha como calceteiro - operário que calça ruas. Mais tarde o senador Pinheiro Machado o coloca no cargo de contínuo num almoxarifado, que, além de menos arriscado para suas mãos, já que ele é violonista, lhe propicia mais tempo livre para se dedicar à música.

Forma o Grupo Caxangá, em 1914, com sete integrantes, entre eles Pixinguinha e Donga, que lança moda no Rio com sua caracterização sertaneja. A convite do escritor Afonso Arinos, encerra o ciclo de conferências Lendas e Tradições Brasileiras, no Teatro Municipal de São Paulo, em 1915, com apresentação de canções folclóricas, acompanhado pelos instrumentistas Otávio Lessa, Luís Pinto da Silva e José Alves Lima. No ano seguinte lança a Troupe Sertaneja.
Em 1919, leciona violão na Casa Cavaquinho de Ouro e, mais tarde, integra o conjunto Oito Batutas, ao lado de Pixinguinha e Donga, excursionando pelo Brasil e exterior. Trabalha até 1934 no Pedagogium, museu pedagógico criado nos anos 1890 na cidade do Rio de Janeiro, onde funciona a primeira sede da Academia Brasileira de Letras (ABL), quando a convite de Villa-Lobos é empregado como contínuo na Superintendência de Educação Musical e Artística (Sema).

Grava pela Odeon os choros Mimoso (s.d.), Magoado (s.d.) e Sons de Carrilhões (s.d.), com acompanhamento de Nelson Alves, no cavaquinho, e a valsa Lágrimas (s.d.), em 1926. No mesmo ano, o cantor Patrício Teixeira grava a embolada Seu Coitinho Pegue o Boi, de Pernambuco. É patrono das provas de violão do concurso O que É Nosso, promovido pelo Correio da Manhã.

A cantora Stefana Macedo grava Vancê, toada em parceria com E. Tourinho, Siricoia e os cocos Tiá de Junqueira e Biro, Biro, Iaiá, em 1929. No ano seguinte, lança uma série de discos para a Columbia, interpretando dez de suas obras, revividas no LP O Som e a Música de João Pernambuco - edição histórica (Continental), de 1979, com o acréscimo de duas gravações do violinista Dilermando Reis, Sons de Carrilhões e Interrogando, ambas de João Pernambuco. Em 1947, musica os versos de Canção do Violeiro (1883), de Castro Alves, seu último trabalho. Em sua vida toda compõe mais de 100 obras, entre cocos, toadas, emboladas, choros e valsas.

Comentário crítico
Ao mudar-se para o Rio de Janeiro, no início dos anos 1910, João Pernambuco leva consigo as sonoridades dos cantadores do Recife, caracterizadas, entre outros aspectos, pela capacidade de improvisação. O compositor destaca-se sobretudo pela originalidade com que trabalha suas referências folclóricas apreendidas na juventude, mesclando-as com as influências adquiridas na convivência com os chorões cariocas e em festas populares como a do bairro da Penha e o Carnaval do Rio.

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Outras informações de João Pernambuco:

  • Outros nomes
    • João Teixeira Guimarães

Obras de João Pernambuco: (1) obras disponíveis:

Fontes de pesquisa (6)

  • JOÃO Pernambuco. In: Músicos do Brasil. Uma enciclopédia instrumental. Disponível em: http://musicosdobrasil.com.br/verbetes.jsf. Acesso em 27 nov. de 2010.
  • LEAL, José de Souza e BARBOSA, Artur Luiz. João Pernambuco: arte de um povo. Rio de Janeiro: Funarte, 1982. 72p. Coleção MPB, 6.
  • BESSA, Virginia de Almeida. Um bocadinho de cada coisa. Trajetória e obra de Pixinguinha. 2006. 262p. Dissertação (Mestrado em História Social) - Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo. São Paulo, 2006.
  • DOMINGUES, Henrique Foreis (Almirante). No Tempo de Noel Rosa. 2.ed. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves Editora S.A., 1977. 229 p.
  • MARCONDES, Marcos Antônio. Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica, popular. 2. ed., rev. ampl. São Paulo: Art Editora : Itaú Cultural, 1998. 912 p.
  • TINHORÃO, José Ramos. História social da Música Popular Brasileira. São Paulo: Ed. 34, 1998. 368p.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • JOÃO Pernambuco. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopediaitaucultural.org.br/pessoa19281/joao-pernambuco>. Acesso em: 22 de Jul. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7