Artigo da seção pessoas Johnny Alf

Johnny Alf

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento deJohnny Alf: 19-05-1929 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Data de morte 04-03-2010 Local de morte: (Brasil / São Paulo / Santo André)

Biografia
Alfredo José da Silva (Rio de Janeiro, RJ, 1929 - Santo André, SP, 2010). Compositor, pianista, cantor. Inicia o aprendizado de piano aos 9 anos. Estuda música erudita, mas demonstra num primeiro momento interesse pela música popular norte-americana ligada ao cinema. Admira principalmente Cole Porter (1891-1964), George Gershwin (1898-1937) e o pianista e cantor Nat King Cole (1919-1965).

Em 1949, frequenta o Sinatra-Farney Fan Club, na Tijuca, ponto de encontro de admiradores da música norte-americana e dissidentes da música popular brasileira (MPB), conhece Dick Farney (1921-1987) e torna-se amigo do cantor. Na sede do primeiro fã-clube do Brasil, existe um piano antigo em que Johnny Alf tem a permissão para estudar fora do expediente normal, durante a semana, no período da tarde.

É indicado, em 1952, por Dick Farney para ser o pianista da Cantina do César, do radialista César de Alencar (1917-1990). A atriz Mary Gonçalves (1927), Rainha do Rádio em 1952, escolhe três composições de Alf - Estamos Sós, O que É Amar e Escuta - para incluir em seu LP e lançar-se  como cantora. Pelo selo Sinter, Alf grava as músicas Falsete, de sua autoria, e De Cigarro em Cigarro, do compositor Luís Bonfá (1922-2001), em seu primeiro disco 78 rpm, com piano, contrabaixo e violão. Toca piano e canta na boate Mandarim, onde durante algum tempo reveza com o pianista e compositor Newton Mendonça (1927-1960). Depois no Clube da Chave, em que conhece Tom Jobim (1927-1994), que em parceria com Billy Blanco (1924-2011) compõe a Sinfonia do Rio de Janeiro (1954), e nas boates Drink e Plaza. Entre 1954 e 1955 o bar do Hotel Plaza é frequentado por músicos em começo de carreira, como Tom Jobim, Carlos Lyra (1939), João Gilberto (1931), Roberto Menescal (1937), Maurício Einhorn (1932), Dolores Duran (1930-1959), que vão escutar Johnny Alf e dar uma canja no fim da noite. Tom Jobim vai ao Plaza ouvir Alf, que vai ao Tudo Azul assistir Jobim.

Alf muda-se para São Paulo em 1955 e se apresenta na boate Baiúca; e com o violonista Paulinho Nogueira (1927-2003) e os contrabaixistas Sabá (Sebastião Oliveira da Paz) e Luís Chaves (9131-2007), no Bar Michel. No ano seguinte, lança um disco 78 rpm, pela gravadora Copacabana, com as composições O Tempo e o Vento e Rapaz de Bem, de 1953, canção considerada por alguns historiadores como precursora da bossa nova por suas soluções melódicas e harmônicas revolucionárias para a época. Lança seu primeiro LP, Rapaz de Bem, em 1961, que inclui, entre outras, a música de sua autoria Ilusão à Toa. Volta para o Rio de Janeiro em 1962 e toca no Bottle's Bar, onde também se apresentam o Tamba Trio, os pianistas Sérgio Mendes (1941) e Luís Carlos Vinhas (1940-2001) e a cantora Sylvia Telles (1934-1966). Forma um trio com o baixista Tião Neto (1931-2001) e o baterista Edison Machado (1934-1990).

Olhos Negros, disco gravado em 1990, tem a participação, entre outros, dos compositores Chico Buarque (1944) e Roberto Menescal e da cantora Leny Andrade (1943). Alf apresenta sucessos antigos e novas composições. Em janeiro de 1998, lança o CD Noel Rosa - Letra e Música, pela Lumiar Discos. Faz parte desse CD a canção Noel, Rosa do Samba, em parceria com Paulo César Pinheiro (1949), cujo lançamento ocorre no Sesc Pompeia, em São Paulo.

Comentário crítico
Johnny Alf é considerado um dos desbravadores da música brasileira moderna. "A leveza de seu touché, a forma desatada da marcação rítmica ao se acompanhar ao piano, a originalidade dos encadeamentos harmônicos, a mudança na disposição de notas dos acordes, as melodias com intervalos pouco usados, até a maneira de cantar juntinho do microfone sem arrebatamento, mas com a preocupação do mais nítido possível podem agora ser vistos como uma antessala da bossa nova", afirma Zuza Homem de Mello (1933), em seu livro Eis Aqui os Bossa-Nova.

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Outras informações de Johnny Alf:

  • Outros nomes
    • Alfredo José da Silva
  • Habilidades
    • pianista
    • compositor
    • cantor/Intérprete
  • Relações de Johnny Alf com outros artigos da enciclopédia:

Eventos relacionados (1)

Fontes de pesquisa (11)

  • CASTRO, Ruy. Chega de saudade: a história e as histórias da Bossa Nova. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. 461 p. 
  • CAMPOS, Augusto de. Balanço da bossa e outras bossas.  4.ed. São Paulo: Perspectiva, 1986.
  • CASTRO, Ruy. A onda que se ergueu no mar. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
  • FOLHA ONLINE. Ilustrada. Johnny Alf, precursor da bossa nova, morre aos 80 anos em SP. Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u702428.shtml>. Acesso em: 5 mar. 2010. Não catalogado
  • HOMEM DE MELLO, Zuza. A era dos festivais: uma parábola. São Paulo: Editora 34, 2003.
  • HOMEM DE MELLO, Zuza. Eis aqui os bossa-nova. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2008.
  • JOHNNY Alf. In: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro: Instituto Cultural Cravo Albin. Disponível em: http://www.dicionariompb.com.br/johnny-alf. Acesso em 15 setembro 2009.
  • MARCONDES, Marcos Antônio. Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica, popular. 2. ed., rev. ampl. São Paulo: Art Editora : Itaú Cultural, 1998. 912 p. R780.981 M321e 2.ed.
  • ROMANO DE SANT'ANNA, Afonso. Música popular e moderna poesia brasileira. 3. ed. Petrópolis, RJ: Ed. Vozes, 1986
  • SEVERIANO, Jairo e MELLO, Zuza Homem de. A Canção no tempo I: 85 anos de músicas brasileiras (1901-1957). 2. ed. São Paulo: Editora 34, 1998. v. 1. 366 p. (Ouvido Musical) 
  • TATIT, Luiz. O século da canção. Cotia: Ateliê Editorial, 2004.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • JOHNNY Alf. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopediaitaucultural.org.br/pessoa12863/johnny-alf>. Acesso em: 26 de Jul. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7