Artigo da seção pessoas Sinhô

Sinhô

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Música  
Data de nascimento deSinhô: 18-09-1888 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Data de morte 04-08-1930 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia
José Barbosa da Silva, "Sinhô" (Rio de Janeiro RJ 1888 - idem 1930). Compositor, pianista, cavaquista, flautista e violonista. Filho de Ernesto Barbosa da Silva e Graciliana Silva. O pai, simpatizante de rodas de choro, incentiva o filho a estudar flauta, instrumento que não o estimula. Já o piano existente na casa dos avós desperta seu interesse e, ao lado do violão, torna-se o instrumento preferido.

Casa-se aos 17 anos com a jovem portuguesa Henriqueta Ferreira e com ela tem três filhos, mas dois deles morrem ainda muito jovens. Em 1914, fica viúvo e inicia vida amorosa ativa e atribulada. Logo em seguida casa-se com Cecília, funcionária e pianista da Casa Beethoven. Mais velha, ela apoia sua carreira de pianista nessa casa, além de registrar em partitura parte de suas composições. Sinhô a deixa no início dos anos 1920 para morar com Carmen, que conheceu nos bas-fonds. Abandona Carmen para viver, até sua morte, com Nair Moreira.

Desde cedo mantém vida artística ativa e diversificada. Na década de 1910 frequenta a casa da Tia Ciata e participa das rodas de samba ao lado de Donga, Pixinguinha e João da Baiana. Seu personalismo e perfil polêmico acabam indispondo-o com o grupo por questões musicais e pessoais. O conflito gera composições que trocam recados entre os lados, como Quem São Eles (1918), que tem a resposta de Pixinguinha em Já Te Digo, replicado por Sinhô com Três Macacos do Beco (1919), e a pioneira marchinha Pé de Anjo (1920), dirigida a China, irmão de Pixinguinha. Nos anos seguintes se envolve em outras polêmicas relacionadas com a autoria de canções. Heitor dos Prazeres o acusa de ter plagiado Ora Vejam Só (1927) e Gosto que Me Enrosco (1928) e registra sua reclamação nos sambas Olha Ele, Cuidado (1929) e Rei dos Meus Sambas (s.d), cujas gravações Sinhô tenta impedir.

Seguindo a viva tradição dos pianeiros, ele se destaca tocando em diversos clubes dançantes, como o Kananga do Japão (ao qual dedicou uma "polca-choro" homônima em 1918). Ganha fama de bom pianista, fato que lhe dá prestígio e reconhecimento no mundo do entretenimento musical. Essa condição cria clima favorável para gravar suas canções e publicar as partituras que, em 1922, já registram a designação "Rei do Samba". Contudo, a "coroação" simbólica somente ocorre em 1927. Essa consagração é originária, sobretudo, das composições para o Carnaval e o teatro de revista, que alcançam sucesso nos anos 1920. Nessa década, é um compositor atuante no teatro carioca e colabora em inúmeras revistas musicais, a exemplo do samba Confessa Meu Bem, cantado em É de Ban, Ban, Ban, de Carlos Bittencourt e Rego Barros.

Comentário crítico
Na casa da Tia Ciata, Sinhô convive com aspectos da cultura afro-americana do século XIX, que ainda persistem de modo transformado, e se tornam referências importantes para suas composições destinadas ao Carnaval. Escritas para os clubes ou para ser cantadas nos dias do festejo, colaboram de modo decisivo para dar contornos aos gêneros urbanos em construção, como a marchinha e o samba carnavalesco. Nas décadas de 1910 e 1920 suas canções carnavalescas, como Quem São Eles? (1918), Confessa, Meu Bem (1919), O Pé de Anjo (1920), Sai da Raia (1922), Macumba Gegê (1923), Já-Já (1924), Caneca de Couro (1925), Amor sem Dinheiro (1926), Ora Vejam Só (1927), Amar a uma só Mulher (1928), Gosto que Me Enrosco (1929), alcançam sucesso, derivando daí a designação ainda em vida de "Rei do Samba". Essas composições são importantes uma vez que funcionam como uma espécie de filtragem da produção musical do período, ainda bem "amaxixadas". Assim, todo esse trabalho criativo de uma década torna-se central para a decantação do que fica conhecido como a marchinha e o samba carnavalescos.

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Outras informações de Sinhô:

  • Outros nomes
    • José Barbosa da Silva
    • O Rei do Samba
    • J. Curangi
    • J.B. da Silva
  • Habilidades
    • compositor

Fontes de pesquisa (8)

  • ALENCAR, Edigar de. Nosso Sinhô do samba. Rio de Janeio, Ed. Civilização Brasileira, 1968.
  • BARBOSA, Andre Luis Gardel. O encontro entre Bandeira e Sinhô. Rio de Janeiro, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura, 1996.
  • EFEGE, Jota. Figuras e coisas da música popular brasileira. Rio de Janeiro, Funarte, vols. 1 e 2, 1980.
  • MARCONDES, Marcos Antonio, (org). Enciclopédia da música brasileira. Erudita, folclórica, popular. São Paulo, Art editora Ltda, 1977.
  • NOVA História da Música Popular Brasileira, Sinhô. São Paulo, Editora Abril, 1977.
  • Acervo Instituto Moreira Salles. http://ims.uol.com.br/ims/
  • MARIZ, Vasco. A canção Brasileira - Erudita, folclórica, popular. 3ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1977.
  • TINHORÃO, José Ramos, História social da música popular brasileira. São Paulo, Ed 34, 1998.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • SINHÔ . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopediaitaucultural.org.br/pessoa12440/sinho>. Acesso em: 19 de Ago. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7