Artigo da seção instituições Foto Clube do Pará (Bélém, PA)

Foto Clube do Pará (Bélém, PA)

Artigo da seção instituições
 

Histórico
O Foto Clube do Pará surge na cidade de Belém, em 1955, a partir da reunião informal de fotógrafos amadores e profissionais em encontros periódicos para discutir sobre fotografia e divulgar trabalhos e pesquisas. O estado tem uma forte tradição no campo fotográfico, iniciada ainda no século XIX com o trabalho de Charles de Forest Fredricks (1823-1894), primeiro profissional a montar um estúdio em Belém, em 1844, e de Felipe Augusto Fidanza (ca.1847-1903), que se instalou na capital duas décadas depois, tornando-se o grande nome da fotografia oitocentista no Norte do país.

As primeiras reuniões do grupo ocorrem no Atelier Fotografia Amazônica, a convite de Fritz Liebman, um dos sócios do estabelecimento. Entre seus membros estão, segundo historiadores, figuras como Amílcar Leão, Anselm Pitman, Carlos Dawer, Francisco Bacelar, Fritz Levinthal, Gratuliano Bibas, João Nunes Rendeiro, José Luiz de Souza Ferreira, José Mendonça Góes, Eliezer Serra Freire, Moacir Moraes e Raimundo Moura. Em 1958, o clube ganha uma estrutura formalizada e a primeira presidência fica a cargo de Raimundo Moura. Em 1962, o Foto Clube Pará adere à Confederação Brasileira de Fotografia e Cinema e inicia um período de intensa atividade, com a realização de passeios, palestras e exposições. Entre 1964 e 1966 são organizadas exposições importantes no salão nobre do Teatro da Paz, em Belém, com a participação de vários fotoclubes nacionais. São elas: a Primeira Mostra Fotográfica, o 1º Salão Paraense de Arte Fotográfica e o 2º Salão Paraense de Arte Fotográfica, respectivamente.

Com um funcionamento semelhante ao de organizações similares (o primeiro foto clube surge na França, em meados do século XIX; no Brasil, o pioneiro é o Sploro Photo-Club, que nasce em Porto Alegre em 1903 e o Photo Clube do Rio de Janeiro, criado em 1910), a associação tem por objetivo primordial disseminar novidades técnicas e fazer circular os trabalhos de seus sócios.1 "Foi no foto clube que estes fotógrafos encontraram o espaço ideal para o debate que viria a estimular essa nova produção que se desenhava"2, afirma o pesquisador Orlando Maneschy (1968).

Dentre os sócios do clube destacam-se João Nunes Rendeiro, Gratuliano Bibas e José Mendonça Góes, seja pela importância como membros da Comissão Artística da Confederação Brasileira de Fotografia e Cinema, seja por desenvolverem um trabalho de cunho mais autoral e de maior requinte visual. No início dos anos 1970, o Foto Clube Pará suspende suas atividades, em parte porque o fotoclubismo já entrava em decadência, desestimulado pelo surgimento de técnicas de popularização da fotografia, como as câmeras automáticas, e também em função da dificuldade de renovação de seus líderes. Afinal, Gratuliano e Rendeiro param de fotografar em 1972 e Góes muda-se para o Rio de Janeiro no mesmo período.

Mesmo assim, o grupo tem grande importância para as novas gerações e para a consolidação do Pará como um dos mais importantes polos fotográficos do país. Basta lembrar que um dos grandes destaques da fotografia contemporânea brasileira, Luiz Braga (1956), inicia seu trabalho sob a orientação de sócios remanescentes do clube, como Aldo Moreira e Eliezer Serra Freire, em 1974. Essa experiência de intercâmbio entre os fotógrafos, corporificada no Foto Clube, ressurge em outro formato na década seguinte, a partir do trabalho desenvolvido por Miguel Chikaoka (1950) à frente do Fotoativa, organização que dinamiza da fotografia em Belém. Como sintetiza o escritor Benedito Nunes (1929-2011) ao mencionar essa interrelação entre os diferentes momentos históricos da fotografia paraense:

[...] a apologia do domínio técnico como único meio de assegurar à foto a dignidade de uma arte, em concorrência com a pintura, marca, certamente, a mentalidade amadorística profissionalizante do Foto Clube, ligada, porém, à geração anterior, pelo mesmo liame temático que a vinculará à geração atual de um Miguel Chikaoka - à frente de uma escola, a Fotoativa, por ele criada e mantida desde 1984 -, e de um Luiz Braga, artista solitário, mas fecundo3.

Notas
1 Dados provenientes de FERNANDES JÚNIOR¸ Rubens. Militância política e dissonância poética. In KLAUTAU FILHO, Mariano (org.). Fotografia contemporânea paraense. Panorama 80/90. Belém: Secult, 2002.

2 MANESCHY, Orlando. O corpo sutil das imagens. In Fotografia contemporânea paraense. Panorama 80/90. Belém: Secult, 2002, p. 198.

3 NUNES, Benedito. Amazônia reinventada. MAGALHÃES, Angela (coord.). Amazônia, o olhar sem fronteiras. Catálogo II Fotonorte. Belém: Funarte, 1988, p. 30.

Fontes de pesquisa (5)

  • ALDO MOREIRA. Depoimento datilografado sobre as origens do Foto Clube do Pará.
  • KLAUTAU FILHO, Mariano (org.). Fotografia contemporânea paraense: panorama 80/90. Belém: Secult, 2002. Acessível em: http://www.fotoparaense80-90.pa.gov.br/index.htm.
  • MAGALHÃES, Ângela; PEREGRINO, Nadja. Visualidade na Amazônia: a questão da fotografia. Imagens, Campinas, ano 1, n. 7, p. 16-29, mai.-ago. 1996.
  • MANESCHY, Orlando. Cartografias da história da fotografia no Pará. Anpuh - XXII Simpósio Nacional de História, João Pessoa, 2003. Acessível em: anpuh.org/anais/wp-content/uploads/mp/pdf/ANPUH.S22.549.pdf. Consultado em: 27 nov. 2012.
  • NUNES, Benedito. Amazônia reinventada. In Angela Magalhães (coord.). Amazônia, o olhar sem fronteiras. Catálogo II Fotonorte. Belém: Funarte, 1988.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • FOTO Clube do Pará (Bélém, PA). In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopediaitaucultural.org.br/instituicao635611/foto-clube-do-para-belem-pa>. Acesso em: 21 de Jul. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7