Artigo da seção grupos Grupo Engenho de Teatro

Grupo Engenho de Teatro

Artigo da seção grupos
Teatro  

Data/Local
1972/1975 - Rio de Janeiro RJ - Fase amadora

1976/1982 - Rio de Janeiro RJ - Fase profissional

Histórico
Em busca de uma interpretação brasileira e de uma dramaturgia cujo tema é o homem em conflito com seu meio, o Grupo Engenho de Teatro lança um olhar crítico, de viés existencialista sobre a realidade social.

O conjunto se forma na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC/RJ, em 1972, sob a direção de Marcos Fayad, estreando profissionalmente com Esperando Godot, de Samuel Beckett, em 1976. No mesmo ano, monta A Viagem do Barquinho, um texto de Sylvia Orthof para crianças. Em 1977, apresenta Ralé, de Máximo Gorki, sua montagem mais aplaudida pela crítica. O drama de miseráveis reunidos em um albergue de indigentes mostra as consequências nefastas de uma sociedade que não distribui riquezas nem direitos. O diretor Marcos Fayad elimina da história quaisquer referências a tempo ou lugar: as personagens de Gorki se tornam arquétipos metafísicos do sofrimento. Segundo a crítica Tania Pacheco, "o grupo demonstra um alto índice de consciência nos detalhes cênicos e na interpretação".1 Yan Michalski também aplaude a realização: "Raras vezes se vê hoje um elenco de 15 pessoas em que cada ator sabe claramente, em qualquer momento, o que está dizendo e fazendo em cena, e por quê. Esta perceptível assimilação do sentido de cada fala conduz os jovens intérpretes a composições surpreendentemente completas. [...] Os atores parecem ter uma familiaridade carinhosa e íntima com os respectivos personagens que no teatro profissional tem aparecido muito raramente, e no teatro não empresarial tem sido colocada fora de moda".2

Em 1978, Fayad dirige O Coronel dos Coronéis, texto premiado de Maurício Segall. Em 1979, o diretor descobre o texto do venezuelano José Ignacio Cabrujas, Ato Cultural ou Cristóvão Colombo, o Genovês Alucinado. O texto de Cabrujas distribui a ação em três planos de realidade que se interpenetram constantemente: a patética e medíocre vida particular de seis representantes da elite de uma cidadezinha; o ato cultural que rememora Cristóvão Colombo e a colonização; a presença da comunidade, apática diante do drama que presencia e do qual não sabe que é parte. A encenação capta o espírito da obra, transitando do grotesco e da comicidade rasgada à emotividade, mas se mantém tímida na linguagem, com soluções convencionais. No último espetáculo do grupo, em 1982, Marcos Fayad opta por uma dramaturgia de exuberante teatralidade. Para encenar Peer Gynt, de Henrik Ibsen, convida alguns dos mais destacados profissionais das diversas áreas - o cenógrafo Romero Cavalcanti, o músico Tim Rescala, a coreógrafa Graciela Figueroa, e as mímicas Denise Stoklos e Lina do Carmo para a preparação física dos intérpretes. O elenco de 14 atores se reveza nas mais de 40 personagens.

Apesar da irregularidade e da inconstância de seu elenco - Henri Pagnoncelli é o único ator permanente, sendo os demais convidados a cada espetáculo - o Grupo Engenho de Teatro tem uma linha de trabalho definida que Yan Michalski identifica ao apreciar seu segundo espetáculo: "... podemos considerar que se trata de um grupo que não demonstra maior atração por experimentação formal nem cultiva um teatro de engajamento sociopolítico. [...] Sua pesquisa, orientada em função de uma visão do mundo assumidamente humanista, empenha-se em investigar os grandes destinos do indivíduo dentro de um universo hostil [...]".3

Notas

1. PACHECO, Tania. Ralé: um clássico que nada tem de museu. O Globo, Rio de Janeiro, 21 set. 1977.

2. MICHALSKI, Yan. O gorkiano tempo de espera. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 22 set. 1977.

3. Ibid.

Espetáculos (13)

Eventos relacionados (2)

Fontes de pesquisa (5)

  • ATO Cultural.  Rio de Janeiro: Cedoc / Funarte. Dossiê Espetáculo Teatro Adulto.
  • FAYAD, Marcos. Rio de Janeiro: Cedoc / Funarte. Dossiê Personalidades Artes Cênicas.
  • GRUPO Engenho de Teatro. Rio de Janeiro: CEDOC / Funarte. Dossiê Grupos Artes Cênicas.
  • PEER Gynt. Rio de Janeiro: Cedoc / Funarte. Dossiê Espetáculo Teatro Adulto.
  • RALÉ. Rio de Janeiro: Cedoc / Funarte. Dossiê Espetáculo Teatro Adulto.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • GRUPO Engenho de Teatro. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopediaitaucultural.org.br/grupo399369/grupo-engenho-de-teatro>. Acesso em: 26 de Jul. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7